Quinta-feira, Março 31, 2011

Mega-Agrupamentos em Análise, Debate e Perspectiva


O Movimento da Agregação de Escolas e Agrupamentos (vulgarmente designados como Mega-Agrupamentos) é uma das medidas de política educativa que mais impactos tem produzido nas identidades organizacionais e profissionais. Apresentados como uma medida de racionalização administrativa e até de reforço das articulações verticais, estas organizações têm, contudo, gerado perplexidades e interrogações, parecendo ir em contra-ciclo com o que se sabe sobre os efeitos negativos da sobre-dimensão das unidades onde é suposto existir uma acção pedagógica próxima, coesa, coerente e unificada. É neste quadro que a Faculdade de Educação e Psicologia e o seu Serviço de Apoio à Melhoria das Escolas (SAME) promovem mais um Seminário Temático sobre um tema candente visando aumentar o conhecimento sobre os impactos do que se está a passar.

Tocar a Rebate!

(...) A sociedade portuguesa está dividida e crispada. A desconfiança e a descrença imperam. A maledicência, a suspeita e o insulto substituíram o debate de ideias e projectos. Deixou de haver um sentimento de esperança, um golpe-de-asa, um desígnio maior que una e crie harmonia entre os portugueses. Sobram o sectarismo e a mesquinhez, faltam a generosidade e a grandeza necessárias para nos unirmos em torno de um propósito comum. Sem truques, sem falsas ilusões, mas também sem descrença e fatalismo. Acima dos sectarismos, das corporações, dos clubes, dos lobbies, das capelinhas e interesses particulares, está a democracia e está Portugal, está a crença em valores comuns, na qual acredita a maioria dos portugueses: os valores da decência e do trabalho honesto, da liberdade e da confiança nas nossas instituições, da justiça e da fraternidade, e da absoluta necessidade de sermos capazes de construir uma prosperidade equitativamente partilhada, ao alcance e para benefício de todos os portugueses. (...) Quem escreveu isto, em Dezembro de 2009? De que estamos à espera para agir de outro modo? Precisaremos de descer até à mais profunda miséria para reagirmos com decência, frontalidade e ousadia?

Quarta-feira, Março 30, 2011

Reivindicar outra avaliação!


Nova crónica no Correio da Educação.


Desde há 3 anos que a avaliação do desempenho dos docentes tem estado sempre no centro da agenda e da turbulência educativa. Porque era impossível (como tive oportunidade de dizer e demonstrar), porque era burocrática e monstruosa (também por responsabilidade das próprias escolas), porque era um instrumento de persecução de autoridade dos que o não sabiam ser, porque minava os modos de ser professor, porque requeria um excessivo tempo (que era roubado ao essencial da profissão – ensinar-fazer aprender-avaliar – porque não tinha condições de realização por falta de conhecimentos e de preparação, porque o campo profissional estava minado por uma vasta desconfiança mútua. (texto integral)

Terça-feira, Março 29, 2011

Prémio Pedagogia

Prémio Pedagogia Fundação Ilídio Pinho. Notícia e divulgação.


Sinais de alento, Compromisso e Esperança.

Quando a escolarização passa de um registo de tédio e de dificuldade para um registo de desafio...




Estive, ontem, todo o dia no Agrupamento de Beiriz, a observar partes de aulas, a ouvir a Coordenadora do Projecto Fénix, Directores de Turma, Directora e Alunos. Há toda uma memória que terei de escrever (não apenas para a "intemporalizar", mas também para se esclarecer). Mas fica hoje o registo de uma frase emblemática que ouvi de um aluno do 9º ano: "agora, não há dificuldades; há desafios".
É uma frase assertiva, aparentemente excessiva na sua "adultez". Mas não deixa de ser um sinal de um crescimento e de uma lucidez que parece fazer sentido.


E ficam também algumas imagens de árvores acolhedoras e humanas (dos abraços, das árvores...) que ligam a terra ao céu, o presente ao sonho, a acção à implicação.

Segunda-feira, Março 28, 2011

Afectividade e Relação Pedagógica


A discussão sobre o papel da afectividade na educação vem de tão longe como a própria discussão das relações entre pensamento e sentimento, razão e emoção, mente e coração. Segundo Dewey (2004 [1916]), os grandes problemas da educação provinham da ausência de uma ideia de continuidade entre a razão e o corpo, a pessoa e a sociedade, a pessoa e a natureza; e Montessori (1969) considera que o grande problema da educação tradicional está no fosso que ela manteve entre a criança e o adulto, este pretendendo a todo o custo sujeitar aquela. Em geral, todo o pensamento pedagógico reformador do Século XX, independentemente das diferenças conceptuais e processuais de cada corrente, propunha a ligação e a interdependência funcional entre as capacidades intelectuais, emocionais, sociais e manuais, em nome do desenvolvimento integral e da autonomia da criança. A investigação vem mostrando que é pela afectividade que o indivíduo tem acesso aos sistemas simbólico‑culturais “originando a actividade cognitiva e possibilitando o seu avanço, pois são os desejos, intenções e motivos que vão mobilizar a criança na selecção de actividades e objectos” (Leite & Tagliaferro, 2005, p. 50). Processos cognitivos e afectivos interrelacionam‑se e influenciam‑se mutuamente. Essa linha de investigação está fortemente apoiada nos trabalhos de Wallon (1968) e de Vygotsky (1998). Uma das ideias centrais do pensamento de Vygotsky, contida no conceito de zona de desenvolvimento proximal, é a de que relações concretas entre pessoas estão associadas ao desenvolvimento das funções superiores, tornando‑se assim fundamentais as atitudes de ajuda e apoio exercidas pelo professor. Também as recentes investigações no campo das neurociências vêm demonstrando que sentimentos e consciência não são estranhos e separados; sentimentos e emoções têm um forte impacto na mente, podendo dizer‑se que constituem as raízes da consciência (Damásio, 2000). Estudos deste domínio sugerem, ainda, que “o cérebro humano precisa de um certo desafio para activar emoções e aprendizagem”, e que “um ambiente físico seguro é particularmente importante na redução de níveis exagerados de stress”, nocivos ao bem‑estar e à aprendizagem (Muijs & Reynolds, 2005, p. 25). Parece, pois, haver uma forte relação entre as aprendizagens dos alunos e: · a qualidade das relações educador‑criança, nomeadamente a segurança e o conforto emocional, em fases precoces da escolaridade (Pianta et al., 1995, p. 296); · o apoio social (tradução de social support¹) que obtêm por parte dos educadores (Hughes et al., 1997); · o ethos de escola onde se cultive a proximidade nas relações humanas, em articulação com a autoridade dos adultos (Freire, 2001). Estas conclusões vieram reforçar a ideia já defendida pelos pedagogos da Escola Nova, de um indispensável investimento nas condições do ensino, incluindo condições afectivas favoráveis, para que se verifique a aprendizagem de conteúdos a par de uma educação integral do aluno, contemplando conhecimentos, emoções, valores e atitudes. Essas aprendizagens tornam‑se facilitadas “quando o indivíduo trabalha com prazer e quando os seus esforços são coroados de êxito. Isto significa que o êxito escolar depende tanto dos aspectos intelectuais como dos afectivos” (Neves & Carvalho, 2006, p. 202). Dito de outro modo, se as aprendizagens escolares dependem de um conjunto de exigências de ordem técnica, assentes num “saber fazer” que o avanço nos conhecimentos e novas tecnologias garante e exige, não podem deixar de assentar, por outro lado, num conjunto de características afectivas identificáveis que faça com que os conteúdos toquem a pessoa do aluno e activem “os mecanismos cognitivos para trabalhar a informação e para que a aprendizagem significativa se efectue” (Gonçalves & Alarcão, 2004, p. 6). (...) João Amado , Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra ; Isabel Freire , Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa , Elsa Carvalho , Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos do Cadaval , Maria João André , Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos de Pataias


O Tempo escolar - esse Minotauro

Saiu hoje em DR um exemplo paradigmático do modo de fazer a política educativa. Uma regulamentação minuciosa do horário dos docentes. Na mais efizaz e inútil tradição burocrática. E que chega até ao ponto (como também é corrente) de inventar uma realizada que não existe, como se anota nesta passagem: Em terceiro lugar, a escola pública conseguiu abrir -se à comunidade e à economia locais, apostando em ofertas educativas que conferem certificação escolar e profissional e que induzem elevados níveis de empregabilidade, trabalho qualificado e desenvolvimento dos tecidos empresariais locais. Ora, o que se assiste é a uma desinserção territorial (económica e social) das escolas por efeito das absurdas centrais de compras do estado (que o seu director diz que já "poupou" milhões de euros), obviamente não contabilizando todos os imensos danos colaterais. A ficção prossegue embora não se recomende. É o Despacho Despacho n.º 5328/2011 de 28 de Março. Que pode ser lido Aqui.

Domingo, Março 27, 2011

Da Avaliação pedagógica

«Para conhecer a verdade acerca dum sistema educativo é necessário olhar para os seus métodos de avaliação. Que qualidades e realizações são valorizadas e recompensados pelo sistema? (...) Em que medida as expectativas e os ideais, os fins e os objectivos do sistema são realmente percebidos, valorizados e desejados por aqueles que estão no sistema educativo? A resposta a estas questões tem de ser encontrada naquilo que o sistema exige aos estudantes para sobreviver e progredir. O sentido e o sistema de avaliação do aluno definem o curriculum de facto».
Rowntree (1987: 1)

Domingo

Sábado, Março 26, 2011

Navegar entre Tubarões

A parte final da crónica de hoje de Miguel Santos Guerra:

Hay que tener el ordenador en el que se navega en un lugar abierto de la casa, no en una habitación que se pueda cerrar por dentro con llave. Hay que limitar el tiempo de navegación. Hay que brindar criterios de actuación. Hay controles parentales que, aunque tienen una eficacia relativa, pueden ser útiles. Hay que saber lo que hacen los hijos y las hijas cuando navegan durante horas. Hay que navegar con ellos. Ya sé que existirán algunas reservas sobre la invasión de la intimidad, pero hay un deber superior que es el de velar por la integridad física y moral de los hijos y de las hijas.

Los jóvenes tienen que saber que existen contenidos inadecuados para su edad, que hay muchas reclamos para acceder a la pornografía y a la violencia. Y deberían ser ellos mismos quienes se los prohibieran. El tacto es la mejor estrategia educativa en todos los casos.

Fonte

Sexta-feira, Março 25, 2011

Quinta-feira, Março 24, 2011

Ver para além da montanha.

(...)
O PSD entregou ainda um projeto de resolução - uma recomendação ao Governo - na qual são enunciados os princípios do novo modelo, que deve "distinguir avaliação de classificação", "não deve ser universal e estar adaptado a cada contexto", com "um cariz formativo" e "ciclos temporais mais alargados", designadamente na mudança de escalão.

"A concretização mais exaustiva do modelo de avaliação compete ao Governo, até depois de dialogar com os diferentes parceiros, procurando um consenso o mais alargado possível", explicou Pedro Duarte, defendendo que "ao Parlamento compete enunciar os grandes princípios orientadores".

Para sexta-feira já estava marcada a discussão e votação de um projeto de lei do BE, que determina a suspensão do processo de avaliação de desempenho em vigor e estipula um novo modelo sem quotas para atribuição das classificações.

No mesmo dia estará ainda em discussão e votação em plenário de um projeto de resolução do CDS-PP que recomenda ao Governo a aplicação de um modelo simplificado e o inicio de negociações com os sindicatos do setor para a definição de um novo modelo até ao final do atual ano letivo.

A suspensão da avaliação de desempenho é exigida pelos sindicatos de professores, tendo o Ministério da Educação recusado, pretendendo a tutela rever o modelo no final do atual ciclo avaliativo.

Fonte

Ver para além das retóricas

1) A média do crescimento económico é a pior dos últimos 90 anos

2) A dívida pública é a maior dos últimos 160 anos.

Dívida pública portuguesa em % do PIB, 1850-2010



3) A dívida externa é, no mínimo, a maior dos últimos 120 anos (desde que o país declarou a bancarrota parcial em 1892)
Dívida externa bruta em % do PIB

4) O Desemprego é, no mínimo, o maior dos últimos 80 anos. Temos 610 mil desempregados, dos quais 300 mil são de longa duração
Taxa de desemprego em Portugal, 1932-2010


5) Voltámos à divergência com a Europa depois de décadas de convergência.
PIB per capita português em comparação com PIB per capita da Europa avançada

6) Vivemos actualmente a segunda maior vaga de emigração dos últimos 160 anos
Emigração portuguesa (milhares de pessoas) 1850-2008

7) Temos a poupança mais baixa dos últimos 70 anos
Taxa de poupança bruta 1960-2010

(Fonte: AMECO, Santos Pereira, 2011)

Quando todos têm o que queriam - Do Jogo da culpa ao jogo da responsabilidade

Vivemos no dia seguinte da crise declarada. Com um sentimento da inevitabilidade. De cansaço. Mas também de repulsa. E de que vale tudo para atribuir as culpas aos outros, numa prática maniqueísta insuportável. Os bons, os patriotas, os superman, os competentes de um lado; os maus, os antipatriotas, os vilões e os incompetentes do outro.
E numa prática de hipocrisia e de mentira declarada. Não é possível viver assim. Neste pântano. Nesta abjecção. Neste simulacro.

Temos de exigir outra política, outros guiões, outras histórias.

Quarta-feira, Março 23, 2011

Reformar o pensamento

Crónica Conversas Paralelas no Clube de Matemática da SPM.

Frequentemente ouvimos dizer: é uma questão de mentalidade. Ou ainda: é uma questão cultural. A cultura e a mentalidade são poderosas alavancas da acção social e educativa. De facto, o indivíduo (o actor, o autor) vive num determinado contexto social e cultural e foi-se fazendo na família, na escola, nas organizações em que foi trabalhando. As pessoas não nascem como são; constroem-se ao longo da vida nas múltiplas interacções que vão realizando.

Por outro lado, não há mudança sem pessoas. As pessoas – por exemplo, na escola, os professores e os alunos – são imprescindíveis a um processo de melhoria das práticas educativas. Mas as transformações só acontecem quando eu mudo o meu pensar, a minha forma de me pensar e de pensar os outros. E vejo - claramente visto – que é essa mudança me é benéfica e por isso me disponibilizo para alterar a mentalidade e a acção. E são estas alterações de modos de pensar e de agir que por sua vez fazem evoluir a cultura.

E é por isso que a reforma de pensamento é tão importante. E decisivas as políticas que fazem as pessoas quererem mudar de modos de pensar.

Terça-feira, Março 22, 2011

Licínio Lima e a Investigação Acção, hoje na UCP_Porto

Perante uma audiência atenta, Licínio Lima dissertou hoje, com o habitual fulgor, sobre as identidades, tensões e interpelações que a investigação-acção coloca a quem quer aliar o conhecimento à intervenção e à transformação do mundo.

Segunda-feira, Março 21, 2011

Artes da poesia

Da Poesia

Teoria poética no dia mundial da poesia

Não me importo com as rimas. Raras vezes
Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra.
Penso e escrevo como as flores têm cor
Mas com menos perfeição no meu modo de exprimir-me
Porque me falta a simplicidade divina
De ser todo só o meu exterior
Olho e comovo-me,
Comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado,
E a minha poesia é natural como o levantar-se vento...

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XIV"
Heterónimo de Fernando Pessoa

Domingo, Março 20, 2011

Uma Formação Para Resolver Problemas e dar novo sentido à acção


Contra a Indiferença. Pela Indignação criadora!

A parte final da crónica de ontem de Miguel Santos Guerra:

Este pequeño libro es una invitación a la ciudadanía, especialmente a los jóvenes, a reconocer los poderosos motivos que existen hoy para sentirse indignados. “Os deseo a todos, a cada uno de vosotros, que tengáis vuestro motivo de indignación. Es un valor precioso”, dice Sthéfane Hessel. Es un valor precioso porque de la indignación nace un compromiso con la acción. Un tipo de acción que Hessel dice que no tiene por qué ser violenta. Con sus palabras: “En la noción de eficacia es necesaria una esperanza no violenta. De existir una esperanza violenta, ésta se encuentra en la poesía de Guillomme Apollinaire: Qué violenta es la esperanza”.

Coincido con el autor cuando dice que la peor actitud es la indiferencia. La actitud del que piensa: “paso de todo, ya me las arreglaré como sea”. El autor termina su alegato diciendo: “A todos aquellos que harán el siglo XXI, les decimos con todo nuestro afecto: Crear es resistir. Resistir es crear”. Pues que así sea.

Há quem procure

Há quem procure, no turbilhão dos dias alguma pacificação no ar.
Há quem procure por entre a retórica das palavras gastas uma palavra branca, ou então o silêncio que fala.

Há quem procure uma réstia de sol dentro da noite fria e trémula.

Há quem faça do encontro o momento secreto da daída dos labirintos e, de mãos dadas, retire, lentamente, as pedras do meio do caminho.
Há quem não pactue com a mentira institucionalizada, com as meias verdades cómodas.

Há quem faça da escola a promessa sempre adiada, sempre renovada e aí encontre uma lâmpada. E coloque a legião de medos sobre a mesa. E construa uma resposta solidária e quase invencível. Há quem se detenha no olhar de uma criança e inspire o hálito de outro futuro.

Há quem ame a liberdade livre e se disponha a tecer a luz de outro presente.

Há quem procure. Nós os que estamos aqui. Procurando outros sentidos para a nossa profissão. Outras saídas. Inconformadas com o balido do rebanho. Outras saídas, com outros ânimos, outro olhar, outros saberes para agir nos nossos contextos profissionais...

(palavras encunciadas na abertura do 3º seminário do ciclo Lideranças, Avaliação e Supervisão, organizado pela UCP_Porto)

Sábado, Março 19, 2011

No dia do Pai

SOMOS ACTORES DE E PARA A EDUCAÇÃO

Tem a Palavra
Sílvia Feio

(Escola Secundária de Gama Barros)

“Para mim, o teatro surge quando está no palco, quando estabelece uma relação social, concreta, num povo e num grupo.”

Sttau Monteiro, Le théâtre sous la containtre, Actas do Colóquio
Internacional realizado em Aix-en-Provence, em 4 e 5 de Dezembro
de 1985, publicadas pela Universidade de Provence, em 1988

Um professor, é um actor. Quando entra em palco, estabelece uma relação fantástica com o público, neste caso, alunos. E são eles que nos fazem movimentar, rir, brincar, ensinar, criar, improvisar… enfim, representar. São eles que nos movem.
Mesmo que tenhamos preparado uma aula, sobre esta ou aquela matéria, sobre este ou aquele conteúdo, às vezes não nos serve de nada. Porquê? Porque somos pessoas, em constante mutação. Entramos numa sala de aula como professores, agentes importantes da educação, e saímos com a sensação de que também somos psicólogos, tutores. E o que é tudo isto senão representar! Que outra profissão tem esta capacidade de mudar, em tão pouco tempo, a nossa acção perante um grupo?
Ensinar Antes de Começar, de Almada Negreiros, a alunos do 8º ano, não é uma tarefa fácil. Primeiro, porque estamos perante um texto dramático, mas com características específicas; segundo, porque apenas existem duas personagens, um Boneco e uma Boneca, e para eles, que até gostam de fazer leitura dramatizada, é aborrecido, por poderem apenas dois alunos participar; terceiro, porque os temas da obra, como amor e amizade, são temas que conhecem, mas que ficam inibidos quando se fala neles.
Nesta aula, os alunos apresentariam a pesquisa feita sobre a vida e obra do autor, bem como sobre temas relacionados com o mesmo, como a geração de Orpheu, modernismo, e as revistas em que participou e/ou dirigiu. De seguida, distribuiria por cada aluno um papel, com um nome abstracto (amizade, amor, alegria, paixão), que teriam de esconder do colega, e durante 2/3 minutos, pensariam numa maneira de representar essa palavra à turma, a qual teria que a descobrir. Serviria como motivação para o estudo da obra. Após esta actividade, os dois papéis (Boneco e Boneca) seriam distribuídos, e passaríamos à leitura dramatizada. Finalizaria a aula com um questionário relativamente à primeira parte da peça. Bom. Este era o meu plano para esta aula. No entanto, quando distribui os papéis pela turma, dei-me conta da heterogeneidade da mesma. Uns olhavam para a palavra, riam-se, e começavam a “magicar” uma forma de a representar; outros, mergulhavam os olhos na palavra, e não levantavam a cabeça. “Que fiz eu?”, pensei. Que ingenuidade a minha pensar que todos os alunos eram desinibidos! Na realidade, não são.
Comecei a andar pela sala, e dirigi-me a uma aluna. “Amizade”, era a palavra dela. Que constrangimento o meu! Esta aluna tem alguns problemas de relacionamento, é introvertida, e nada, nada mesmo participativa. Sentei-me ao seu lado. Ela olha para mim. Mostra-me novamente a palavra e pergunta:
- E agora? Que faço? Não vou ser capaz… Posso não fazer?
- Claro que és. Eu ajudo-te, se deixares. – respondi.
Juntas, arranjámos uma maneira dela se apresentar à frente da turma. Eu faria par com ela. Eu seria a pessoa a quem ela iria dar um abraço, mostrando assim amizade entre duas pessoas. E assim foi. A turma gostou muito, e deu-lhe os parabéns.
Durante as pequenas representações, ainda me dirigi a mais dois ou três alunos, e ajudei-os. Foi uma aula muito divertida e animada, e a satisfação dos alunos era notória. Mas terminou. A aula acabou! Fiz apenas metade do que tinha previsto…
E se fosse uma aula para avaliação? E se fosse uma daquelas aulas assistidas, que todos temos que ter, se quisermos ter uma “excelente” nota no final? Afinal de contas, eu não tinha cumprido o plano!! E seria considerada uma péssima profissional! Mas na verdade, foi sem dúvida, uma aula muito mais interessante, produtiva e interactiva. Desempenhei vários papéis, mas o mais importante, foi ter ajudado aquela menina, que estava cheia de vergonha, e com dificuldade em representar uma palavra tão simples como a amizade.
Somos actores, num palco, e onde as relações pedagógicas e relacionais se tornam cada vez mais importantes. É com estas relações que ajudamos os alunos a crescer, a interagir, a viver, e a evoluir. Os conteúdos devem ser leccionados sim, mas se não é numa aula, será na outra, ou na outra… Até nisto, os novos programas ajudam. As competências dos alunos devem ser desenvolvidas ao longo do ciclo. Portanto, vamos desenvolvê-las. Mas, acima de tudo, vamos ajudá-los nesta tarefa. Acreditem que é sempre bom quando uma aula termina e se ouve:
- Por que é que as suas aulas passam tão rápido? – pergunta um aluno.
- É simples. A stora ensina, mas também fala connosco e ouve-nos. – responde “aquela” aluna.


6 de Março de 2011
Sílvia Feio
(professora de Língua Portuguesa da Escola Secundária de Gama Barros)

Sexta-feira, Março 18, 2011

Supervisão e Avaliação no 3º Seminário da UCP_Porto





Uma logística impecável para acolher cerca de 450 pessoas.

O outro lado do apoio.


Um painel brilhante com a competência e sensibilidade de Helena Peralta.
Um reencontro de 'mestres' da UCP.
Um painel que nos mostrou que é possível ver, imaginar, praticar outros futuros profissionais.
Um encerramento de esperança de Joaquim Azevedo.
Uma jornada que tornou evidente a capacidade de autoria dos professores.

Quinta-feira, Março 17, 2011

Resíduos de S. Pedro da Cova são perigosos para a saúde pública

Os resíduos depositados mas antigas minas de São Pedro da Cova, em Gondomar, são perigosos para a saúde pública e devem ser removidos imediatamente, informou hoje a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, na conferência de apresentação dos resultados das análises realizadas pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).

As análises concluíram que os níveis de chumbo estão muito acima do limite permitido por lei e os resíduos só poderiam ser depositados num aterro próprio e depois de tratamento. O LNEC recomenda a remoção imediata dos resíduos para tratamento e posterior colocação num aterro próprio. A quantidade de resíduos depositados respeita a lei – são 50 mil toneladas e não 320 mil, como tem sido defendido.

A junta de freguesia de São Pedro da Cova já reclamou o apuramento imediato de responsabilidade, não poupando acusações ao ministério liderado na altura pelo actual primeiro-ministro, José Sócrates: “O Ministério do Ambiente tem de ser responsabilizado”, salientou o presidente da junta, Daniel Vieira. “É preciso admitir que consequências tem a presença destes resíduos para a qualidade da água e para a saúde dos cidadãos”, acrescentou.

Os resíduos depositados a céu aberto nas antigas minas de São Pedro da Cova, entre Maio de 2001 e Março de 2002, foram transferidos da Antiga Siderurgia Nacional da Maia.

Fonte: Público



Razão teve a Junta de freguesia, a Assembleia Municipal de Gondomar - que dedicou ao assunto uma sessão extraordinária em Novembro de 2010 e a Câmara Municipal. Agora, é preciso precisar os danos, repará-los e apurar responsabilidades. Porque a culpa não pode morrer sempre solteira.

Nos Meandros da Avaliação - o comentário final do 2º seminário organizado pela FEP_Porto



Tem a Palavra
João Veiga
Comentário global do Seminário de 9 MARÇO - UCP

Cabe-me a mim uma tarefa fácil, mas paradoxalmente complicada, que é fazer um comentário global deste Seminário. Fácil porque já foi dito o que de mais importante havia para dizer, mas também complicada pela dificuldade em realçar os aspectos mais importantes, dada a riqueza das comunicações, e o pouco tempo que tenho.
Apesar disto, permitam-me abusar um pouco mais do vosso tempo e paciência para destacar um par de aspectos relevantes, mas com a promessa de ser breve.
1. Da fascinante comunicação do Professor Santos Guerra destacaria, em breves notas, o seguinte:

1ª nota – referiu Santos Guerra que “tudo aprendemos entre todos” e estou em crer que hoje muito aprendemos;

2ª nota – ficou claro que sem a abertura à crítica e à autocrítica as escolas nada melhoram no que é nuclear na sua missão;

3ª nota – dos sete princípios que enunciou para justificar a auto-avaliação, destacaria três:
i – faz-se a auto-avaliação por razões de profissionalidade docente, o que é importante quando se assiste à emergência de discursos que pretendem passar uma imagem desprofissionalizante dos docentes
ii – faz-se a auto-avaliação para promover a colegialidade, quer docente como inter-comunitária pois “a escola é um projecto partilhado”, como disse Santos Guerra;
iii – faz-se a auto-avaliação por razões de felicidade pois, muitas vezes, nos esquecemos de “aprender a ser felizes”, e que tão tristes andam as nossas escolas;
4ª nota – salientar que no que toca à tomada de iniciativa para começar a auto-avaliação, na minha opinião, a forma mais promissora das que apresentou é aquela que nasce da vontade da própria escola, podendo ou não contar com a ajuda de um “amigo crítico”;
5ª nota – em relação ao enunciado das dificuldades para fazer a auto-avaliação salientaria que a mais importante é não querer aprender com os fracassos mais do que se satisfazer só com os sucessos;
terminaria com uma nota final sobre a apresentação de Santos Guerra adaptando e parafraseando o final da história da borboleta azul dizendo:
“ depende de nós fazer a auto-avaliação nas nossas escolas pois está nas nossas mãos”
2. Passando agora ao primeiro painel da tarde, centrado nos resultados de investigações sobre a avaliação das instituições escolares, nas suas vertentes internas e externas:
a. em relação à investigação-acção de Ana Pinto, do AE de Marzovelos, de Viseu, sobre um estudo de caso centrado na Auto-avaliação de uma escola, gostava de chamar a atenção para três pontos:
1º – ainda em 2006/07 a auto-avaliação não era prática sistemática em muitas escolas, apesar do Dec. Lei nº 31/2002;
2º – a escola usou o modelo CAF, mas quero realçar que existem outros modelos usando metodologias mais qualitativas e ricas em informação, como é o caso do AE Sá Couto, de Espinho, que ouvimos no painel que agora acabou;
3º – em relação aos resultados quero realçar dois pontos:
i – o processo de auto-avaliação levou à produção de conhecimento, eu diria mais, à produção de “conhecimento informado”, como dizia Matias Alves de manhã;
ii – a auto-avaliação produziu mudanças vastas e profundas na escola, como se pretende com este procedimento.

b. já em relação à investigação de Carla Dias, do AVE Dr. Francisco Gonçalves Carneiro, de Chaves, sobre a “Avaliação externa e padrões de qualidade”, dada a exiguidade do tempo disponível, realçaria somente dois aspectos:
i – dos 4 padrões usados para fazer a meta-avaliação relevaria 2 deles, a exequibilidade (quer em meios humanos materiais a usar como do tempo disponível pata tal) e a utilidade porque a auto-avaliação só faz sentido se permitir a melhoria das escolas;
ii – foi identificado que os processos de auto-avaliação foram incipientes e informais. Dito isto, atrevo-me a perguntar a todos vós: O que se fez, desde 2002, para dotar as escolas de competências para realizar uma Auto-avaliação devidamente organizada e estruturada?
c. por fim Maria Ricardo, da Escola Secundária Manuel Laranjeira, de Espinho, mostrou-nos a importância da integração de apoios e avaliações externas na auto-avaliação, numa das suas componentes nucleares – os resultados escolares, como é o caso dos apoios prestados pelo Programa AVES. Esses apoios permitem incluir nos trabalhos da avaliação interna, de uma forma contextualizada e comparada, a análise e a informação pertinente sobre o “valor acrescentado” que a instituição produziu nos seus alunos, na linha do que a actual investigação educacional chama “o efeito escola”.

3. Do painel que acabamos de presenciar, onde vimos uma amostra das práticas de auto-avaliação e melhoria, apresentada por três das muitas Escolas e Agrupamentos com quem o SAME/UCP colabora, destacaria:
- o pormenorizado trabalho inicial de organização, planificação e descentralização executiva, do grupo de auto-avaliação do AVE de Castelo de Paiva que, apesar da existência da pressão de uma Avaliação Externa eminente (realizada na passada semana), visando dar passo seguros no caminho para a instituição de uma cultura de auto-avaliação sustentada. Desses passos destacaria, por inovador, a criação de um blog específico, para potenciar uma maior visibilidade do seu trabalho e possibilitar uma mais fácil interacção e troca de informação com toda a comunidade educativa. Refira-se, a propósito, que ela está geograficamente dispersa por uma vasto território (foi um dos primeiros mega-agrupamentos criados e continua em vias de crescimento);
- já o Agrupamento de Escolas Sá Couto, de Espinho, encontra-se noutra fase dos seus trabalhos, a concluir a recolha de informação pertinente para traçar um Perfil de Auto-avaliação da Escola, junto dos diversos agrupamentos de actores (professores, alunos, pais e EE e pessoal não docente). Para isso está a usar a metodologia preconizada no Projecto “Pontes para além das fronteiras”, coordenado pelo Prof. John MacBeath. Esse trabalho pretende recensear um conjunto de pontos fracos e fortes, bem como identificar os seus constrangimentos e potencialidades, para depois partir para a elaboração e execução fundamentada de planos anuais de melhoria e para a reelaboração do Projecto Educativo de Agrupamento;
- finalmente, a Escola Secundária de Rio Tinto, já com uma cultura de auto-avaliação instituída, procura agora realizar uma meta-avaliação, ou seja, uma avaliação dos seus mecanismos de auto-avaliação, de forma a conseguir obter dados e respostas que lhes permitam melhorar ainda mais os seus resultados e a qualidade do seu funcionamento, numa atitude permanente de melhoria contínua.

Tivemos assim três retratos de instituições que se encontram em estados diferentes de desenvolvimento dos seus trabalhos de auto-avaliação, mas com uma finalidade comum – a melhoria da qualidade do serviço educativo que prestam.

Finalizo, evocando de novo o Professor Santos Guerra, para realçar uma vez mais, que a avaliação interna ou a auto-avaliação institucional, mais do que um imperativo legal associado à avaliação externa das escolas, deve colocar-se ao serviço de uma escola que reflecte sobre si mesma e que aprende, ou seja, que “se olha ao espelho”, citando de novo Santos Guerra.
Dito isto resta-me renovar o agradecimento do SAME da UCP pela vossa presença, e desejar-vos um bom regresso. Bem hajam.
João Veiga

Procura

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Quarta-feira, Março 16, 2011

Autores de si Mesmos

Tentarei, sempre que me for possível e viável, publicar textos de professores que nos últimos tempos fui encontrando, no âmbito do projecto Fénix. É uma outra forma de dar mais voz e mais autoria aos professores. Porque nós temos de ser muito mais autores da nossa vida profissional. Aqui fica o repto e o desafio. Publicarei todos os textos que encontrar ou que me fizerem chegar e que revelem o lado solar da profissão.

Tem a palavra
Violante Grilo
(AE Ericeira)

Numa época em que tudo o que se faz, se constrói, se pensa e se materializa nas escolas – assim estabelecem os nossos representantes ministeriais - em função das estatísticas pinceladas de verniz pseudocultural, há sempre uma verdade absoluta que vem à tona: somos todos feitos de uma massa multiforme e, também, multifacetada e, nessa medida, quase como que automatizados, somos também agentes de uma forma de ser e estar nas escolas que é, em última instância, a imagem da escola portuguesa.
Mas se são os professores que conduzem o “navio” em mar tempestuoso, muitas vezes desgovernado, mercê de uma verdadeira intempérie que teima em não passar, também certo é que podem os alunos ajudar na labuta do leme para que também eles ajudem na orientação do caminho traçado e, assim, ajudem a salvar a embarcação, e a si próprios, também.
Podemos entender esta metáfora como uma forma de união, de “companheirismo”, de divisão de tarefas entre os educadores e os educandos. Será utopia?
É importante reflectir sobre a possibilidade que temos em “aproveitar” as valências naturais dos seres humanos que temos perante nós: os nossos alunos. Também eles, à sua maneira, desejam exprimir-se: estar, fazer, deixar acontecer, provocar, lançar desafios… essa é a verdadeira essência de todos nós e ela não se manifesta apenas em estado adulto… muito antes disso ela acontece em todos nós. E nos nossos alunos também.
Com a estrutura montada, as regras estabelecidas e o sistema organizativo próprios de uma escola, os alunos sabem até onde podem levar as suas vontades e terão, como qualquer um de nós, que cumprir com as premissas legais do seu espaço escolar. Porém, é na aula que eles podem espelhar a sua forma de estar no mundo, em função do que lhes vai acontecendo naquele espaço. Temos portanto, ali, na aula, todas as possibilidades de dar vida a vontades e intenções dos nossos alunos, para que a sua energia se materialize em tarefas autónomas, eficazes e dignas de registo e admiração.
Mas como? É minha crença que a simplicidade das relações interpessoais contribui grande e eficazmente para a tão desejada autonomia dos nossos alunos. Assim, a terapia do elogio, a valorização da sua identidade e a desvalorização do seu erro vai - talvez lentamente, é certo, mas a médio prazo com total eficácia – desmistificar a ideia pré-formatada de que não se consegue, não se acredita em si mesmo. O culto do optimismo, da perseverança e na crença das capacidades alheias transforma o outro num indivíduo com atitude, com auto conceito e auto estima.
Transmitir aos nossos alunos o conceito de auto valorização, associado às regras básicas do estar em grupo e – também – do estar consigo mesmo, contribui, na minha opinião, para uma posição mais positiva face às tarefas que se vão sucedendo, dia após dia. Mesmo a delegação de responsabilidades logísticas, exequíveis para os nossos alunos, em sistema rotativo, coloca-os perante o melhor de si mesmos e dá-lhes a segurança que necessitam para, “quase”sozinhos, triunfarem e valorizarem aquilo que são e conseguem. E quando isso acontece… os outros irão – mais ou menos lentamente – acreditar também.
É, fundamentalmente, a valorização efectiva e constante por parte do professor que transforma o nosso aluno num ser capaz de acreditar. Em si. Nos outros. E no mundo. E tudo acontece depois. Talvez o tal “verniz pseudocultural” deixasse de ser pseudocultural… e até deixasse de ser verniz…
Como diz o poeta “Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.” (Fernando Pessoa)
E ser autónomo é ser feliz. E a “felicidade exige valentia”.
Basta-lhes entender que têm as ferramentas.
A nós compete-nos mostrar-lhas.
Será utopia?

Violante Grilo, profª Agrupamento de Escolas de Ericeira
Fonte:

A coragem para dizer: basta!

Mais uma crónica no Correio da Educação.

Vivemos um tempo difícil e complexo. Ser professor é cada vez mais exigente num contexto em que muitos alunos não veem o sentido da escola, nem sequer as promessas que a tornariam suportável. Em que algumas (muitas?) famílias têm dificuldade em valorizar a escola por palavras e atos, arruinando assim muito do esforço desenvolvido pelos professores. E no campo especificamente laboral, muito tempo perdemos com enredos normativos e burocráticos que nos desviam do essencial que tem de ser procurar fazer com que os alunos aprendam o máximo que lhes for possível.
(...)
Dizer basta é um sinal não apenas da nossa cidadania organizacional. É um sinal de um imperativo educativo que tem de se basear na ética, na verdade, na honestidade, na justiça e na justeza. Porque ser professor também é isto: rejeitar uma ordem vassálica e praticar a liberdade livre que nos realiza como seres humanos.

Programa 'Educação Responsável' Reduz Ansiedade e Melhora Desempenho

O Programa Educación Responsable, iniciado há cinco anos junto de 20 000 alunos da região da Cantábria, em Espanha, está a produzir "melhorias significativas" entre os alunos abrangidos, que apresentam níveis de ansiedade mais baixos e maior facilidade de comunicação e convivência, o que se traduz também na prevenção do consumo de drogas, diminuição dos níveis de violência e melhor relacionamento aluno-professor.
Este programa, que se traduz em trabalhar as emoções na sala de aula e fomentar o desenvolvimento da criatividade desde o início da vida escolar, deverá ser alargado a mais escolas. (El País)

(Via Correio da Educação)

Um Guia Prático para a Educação Global

A educação global é uma perspectiva educativa que decorre da constatação de que os povos contemporâneos vivem e interagem num mundo cada vez mais globalizado. Este facto faz com que
seja crucial dar aos aprendentes oportunidade e competências para reflectirem e partilharem os seus próprios pontos de vista e papeis numa sociedade global e interligada, bem como compreenderem
e discutirem as relações complexas entre questões sociais, ecológicas, políticas e económicas que a todos dizem respeito, permitindo-lhes descobrir novas formas de pensar e de agir. Contudo, a educação global não deverá ser apresentada como uma perspectiva a aceitar universalmente de forma acrítica, pois são bem conhecidos os dilemas, tensões, dúvidas e diferenças de percepção presentes em qualquer processo de educação sempre que se lida com questões globais.
Há muitas definições de educação global. Segundo a Declaração de Maastricht sobre Educação Global (2002):
Educação global é uma educação capaz de abrir os olhos e as mentes das pessoas para as realidades do mundo, despertando-as para contribuírem para um mundo com mais justiça, equidade e direitos humanos para todos.
Entende-se que a educação global abrange a Educação para o Desenvolvimento, a Educação para
os Direitos Humanos, a Educação para a Sustentabilidade, a Educação para a Paz e Prevenção de
Conflitos e a Educação Intercultural, dimensões globais da Educação para a Cidadania.