Segunda-feira, Setembro 03, 2007

Ministério da Educação anuncia

Dez novidades nas escolas. As (relativas) novidades não merecem grande análise crítica. Mas é óbvia a tendencial justeza da análise do PG (dez são em rigor duas). Por outro lado, parece manifesta a insuficiência das novidades. E depois falta saber o impacto real. Os efeitos não desejados de algumas "novidades". E ainda: se são estas as soluções quais são então os problemas? Por exemplo: como se resolve a baixa procura social dos cursos profissionais (já que os tecnológicos estão em extinção administrativa)? Como se supera o problema da segmentação curricular? Como se melhora a relação da escola com os contextos de trabalho? Como se diminui o abandono e o insucesso escolares no básico e no secundário? Como se aumenta a empregabilidade dos diplomados do ensino secundário e do ensino superior (sabendo-se o problema da baixa qualificação dos activos)? Como se induzem os professorse e os alunos querer sempre aprender e a alterar comportamentos que tenham impacto positivo nos processos e resultados educativos? Como se trava ou inverte a desmotivação e a desmoralização de largos sectores docentes que vão dizendo amen mas que lá no fundo vivem um tempo de agitação e alguma surda revolta? Ou ainda: e não há muito mais novidades umas decretadas e outras não decretadas? As que decorrem de um novo estatuto, com aumento da carga horária dos professores do secundário (é uma novidade), com a avaliação do desempenho dos docentes (outra novidade), com a competição por "bens escassos", com a fixação de quotas administrativas para a avaliação e para a progressão (mais novidades)? As que decorrem dos novos climas, ambientes e culturas organizacionais em gestação?

4 comments:

aj disse...

"As que decorrem dos novos climas, ambientes e culturas organizacionais em gestação?"

Aproveito a sua última frase, Matias, para lhe dar conta do cómico que para mim foi a reunião de Departamento onde hoje estive presente. Três titulares sem vontade nenhuma de serem coordenadores sabendo que têm necessariamente de o ser; Uma dúzia de "não-titulares" constrangidos pelo aborrecimento de ter de escolher o que se "importava menos" de assumir o cargo. E, finalmente, quinze professores (todos) com a sensação (não expressa, mas implícita nos silêncios) de que nenhum dos três é a pessoa mais indicada para o cargo. É que os mais indicados não souberam ter o "mérito" de ter nascido uns anos antes...

JMA disse...

Caro António José

Muito obrigado pelo testemunho. Sendo um caso, não deixa de ser ilustrativo do sistema de "mérito" instituido... e das lideranças formais mais ou menos forçadas. Pena ainda que quem quer ser apenas professor professor excelente nunca possa chegar ao topo da carreira docente ou quem não tem qualquer perfil para dirigir, coordenar ou liderar seja pela lógica do 'sistema' forçado a aceitar...

Anónimo disse...

Ainda esta semana o colega que é Coordenador, até quinta-feira, se questionou se os não titulares podem votar...

JMA disse...

Era o que havia de faltar se não pudessem... o direito de cidadania organizacional exige essa participação.